Brasil

Lula diz que Biden está mais lento, mas espera que ele siga na corrida eleitoral



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu nesta segunda (1º) que o presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, não se saiu bem no primeiro debate presidencial da semana passada contra Donald Trump e que ele está mais lento.

Isso porque Biden teve um desempenho aquém do esperado no encontro com Trump e pode deixar a corrida presidencial nos Estados Unidos pelo partido Democrata. Lula, no entanto, disse esperar que ele siga na disputa, e que só deve deixar a candidatura de lado se realmente ver que não tem condições de concorrer.

“Eu pessoalmente gosto do Biden, já o encontrei várias vezes. Acho que ele tem um problema, está andando mais lentamente, demorando mais para responder as coisas. Mas, quem sabe das condições do Biden é o Biden”, disse Lula em entrevista à Rádio Princesa de Feira de Santana (BA), onde faz anúncios do governo federal nesta segunda (1º).

Lula afirmou que há uma certa restrição com políticos mais velhos principalmente acima dos 80 anos – Biden tem 81 anos –, mas que isso não é um impeditivo de continuarem na política. Ele citou, por exemplo, José Sarney (94 anos) e Fernando Henrique Cardoso (93 anos), que “estão com cabeça boa”.

Lula é favorável à candidatura de Joe Biden e contra Trump, afirmando que a eleição dos Estados Unidos é importante para todo o mundo. “A depender de quem ganha, pode melhorar ou piorar o mundo”, salientou o presidente.

“O mundo precisa ficar mais humano, solidário, fraterno, mais humanista. As pessoas estão muito raivosas, muito irritadas”, pontuou.

Para ele, Biden teve a fragilidade muito exposta durante o debate, com uma “certa morosidade em responder as coisas”, enquanto que Trump – a quem ele se referiu como “cidadão mentiroso” – contou, diz, 101 mentiras segundo apuração feita pelo jornal The New York Times.

“O Biden, é ele quem sabe. Uma pessoa pode mentir pra si mesmo, pode mentir pra todo mundo. Mas, ele não pode mentir a vida inteira pra ele. O Biden que tem que avaliar: se ele está bem e está em condições, ótimo. Mas, se ele não está, é melhor eles [partido Democrata] tomarem uma decisão”, disse Lula em referência à possibilidade da legenda trocar de candidato.

Lula ainda lembrou da eleição em que concorreu em 2018, que foi preso e indicou Fernando Haddad (PT) como substituto. Para ele, o petista foi bem na campanha, embora tenha perdido para Jair Bolsonaro (PL).

Zelensky e ONU

O presidente Lula ainda comentou sobre a relação dele com o líder ucraniano Volodymyr Zelensky, que tem cobrado do petista uma posição mais enfática contra a Rússia, mas que ele evita se posicionar de forma tão crítica.

Lula voltou a ressaltar que é contra a guerra e que poderia ser resolvida numa mesa de negociação. Ele diz que pediu a Celso Amorim para falar com Zelensky em abrir uma brecha para se começar a discutir o fim do conflito.

E também voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que não reflete mais a geopolítica mundial de 1945. Para ele, o colegiado precisa ser ampliado com mais países representando a América Latina, a Ásia e a África, e com uma atuação que realmente coloque em prática as resoluções aprovadas.



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