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Grunner lança sua primeira máquina movida a etanol

Equipamento apresentado no Grunner Day 2026 pode gerar economia de até R$ 2 milhões por safra em usinas de grande porte.

Grunner lança sua primeira máquina movida a etanol

A Grunner, fabricante de máquinas agrícolas com sede em Lençóis Paulista, lançou comercialmente sua primeira máquina movida a etanol. A novidade tem potencial de reduzir os gastos com combustível de uma usina de grande porte em até R$ 2 milhões por safra.

O equipamento foi apresentado durante o Grunner Day 2026, realizado na quarta (23) e na quinta (24), na cidade.

Segundo o gerente nacional de Vendas e Marketing da empresa, André Torquetti, a nova máquina amplia as alternativas de gestão energética do setor, principalmente para usinas que já produzem etanol e podem utilizá-lo nas próprias operações. A alternativa também reduz a dependência do diesel e amplia o uso de fontes renováveis.

"O setor busca isso desde a década de 1980. E a Grunner, uma empresa 100% brasileira, de famílias de produtores, teve essa façanha de conseguir entregar esse primeiro equipamento movido a etanol", destacou.

Desenvolvido em parceria com a MWM, o novo motor parte de uma plataforma diesel e compartilha cerca de 85% dos componentes. Para manter a autonomia dos equipamentos a diesel, foram instalados tanques com capacidade entre 630 e 1.200 litros, que permitem de 48 a 92 horas de operação, dependendo da configuração.

Segundo dados da Grunner, o consumo do motor a etanol é de 1,8 a 2,2 vezes o do equivalente a diesel, com média de 12,5 litros por hora em condições de campo.

Nos cálculos de viabilidade, a empresa adotou o cenário mais conservador: consumo estimado de 13,1 litros de etanol por hora, a um custo de R$ 2,32 por litro, resultando em R$ 30,60 por hora. Um trator a diesel custaria R$ 56,05 por hora — diferença de R$ 25,45 por hora.

Em uma usina que processa 2,5 milhões de toneladas por safra, com 25 máquinas Grunner e 30 conjuntos de tratores de transporte, a economia estimada é de cerca de R$ 2 milhões por safra — ou R$ 12 milhões em seis anos.

A nova tecnologia poderá equipar todo o portfólio da marca, incluindo as linhas ATR (transbordo de cana), ASP (aplicação de vinhaça) e ADS (distribuição de sólidos). Por meio de retrofit, também será possível substituir a motorização a diesel de equipamentos já em operação — hoje são mais de 1.500 máquinas da marca em todo o Brasil.

O projeto faz parte de um investimento de R$ 19,5 milhões em novas tecnologias, dos quais R$ 4 milhões foram destinados à nova plataforma e R$ 15,5 milhões às novas matrizes energéticas. Além do etanol, a Grunner apresentou uma versão movida a biometano, ampliando as opções para usinas que produzem os próprios combustíveis renováveis.

O lançamento reforça um movimento que vem ganhando corpo em Lençóis Paulista. No ano passado, a empresa lençoense E-Oxy conquistou projeção no noticiário nacional ao anunciar os resultados obtidos com o retrofit de motores a diesel para etanol. O município consolida, assim, sua posição no desenvolvimento de motores movidos a biocombustíveis.

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